Crise do Gás na Europa Pode Acelerar Corredor Logístico Chitima-Macuse

Crise do Gás na Europa Pode Acelerar Corredor Logístico Chitima-Macuse

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O projecto de construção do porto e caminhos-de-ferro Chitima-Moatize-Macuse pode tirar partido da actual demanda em alta do carvão nos mercados internacionais provocada pela crise do gás na Europa, para mobilizar investimento na ordem de 2,7 mil milhões de USD necessários para o arranque efectivo das operações.

O projecto encalhado há anos por falta de investimento pode ganhar novo alento, mercê da crise do gás provocada pelo conflito Rússia-Ucrânia que reactivou a utilização do carvão mineral como fonte energética.

Trata-se de uma iniciativa que devia ter arrancado no primeiro trimestre de 2016 para escoar o carvão da zona carbonífera da província de Tete até ao porto de águas profundas de Macuse, na província da Zambézia, centro do país, e, a partir de lá, o produto seguir para os mercados consumidores.

A iniciativa sempre enfrentou desafios de vária ordem para sua efectivação, sendo a mais destacável a queda da procura do carvão nos últimos anos, com a transição energética, retraindo investimentos no sector.

As expectativas sobre o corredor logístico foram reveladas hoje, em Maputo, por José Fonseca, membro do Conselho Executivo da Thai Moçambique Logística (TML), concessionária da empreitada, que neste momento se movimenta para materializar o processo de reassentamento de perto de 90 famílias abrangidas pelo projecto, numa operação que vai custar 20 milhões de meticais a empresa.

“Esperamos no curto prazo que tenhamos fechado todo o mecanismo de financiamento do projecto na sua íntegra, tanto o corredor logístico e as operações portuárias. Felizmente, o mercado do carvão está nos a ser favorável neste momento. O preço do carvão a nível mundial está elevado”, disse a fonte.

Face ao ressurgimento do carvão na matriz energética universal, o projecto tem ganho novos potencias parceiros interessados em abraçar a iniciativa da ferrovia, com uma extensão de 500 quilómetros, para escoamento do carvão moçambicano que continua apontado à Índia como mercado prioritário, daí a necessidade de aceleração dos processos de reassentamento das comunidades.

“Estamos no processo de reassentamento das comunidades do Porto de Macuse e estamos já na fase de construção de casas. Esse processo para além de construção de casas prevê a edificação de infra-estruturas sociais e reabilitação de pontes”, assegurou.

De acordo com a fonte, entre as duas componentes do projecto, nomeadamente o porto e a linha férrea, a primeira, é a que se mostra mais avançada em termos de efectivação, tendo em conta que o seu processo de financiamento já está em curso através de capitais norte-americanos, enquanto a ferrovia exige ainda comparticipação de outros actores incluindo os países do interland.

“Em relação ao Porto de Macuse já temos um acordo com o grupo Porto Céu para utilização do porto no escoamento de produtos da região, e em relação a ferrovia, espera-se que as companhias mineradoras abracem o projecto”, disse.

O projecto em alusão é detido por três accionistas, nomeadamente os Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), com 20 por cento do capital social, o Corredor de Desenvolvimento da Zambézia também com 20 por cento e uma companhia tailandesa gestora de infra-estruturas logísticas com 60 por cento.

Com todo processo de investimento concluindo espera-se que a construção das infra-estruturas dure no máximo 35 meses.

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