Extracção Mineira Condiciona Pleno Crescimento de Crianças

Extracção Mineira Condiciona Pleno Crescimento de Crianças

Já foi lido 364vezes!

Os projectos de extracção de recursos minerais em África, apesar de representarem uma oportunidade de desenvolvimento económico do continente, colocam risco à saúde das crianças nos locais onde estes são implementados.

Segundo um artigo recentemente publicado por uma equipa do Centro de Investigação em Saúde da Manhiça (CISM), localizado na província de Maputo, Sul de Moçambique, estes riscos podem condicionar o pleno crescimento das crianças, como a insegurança alimentar, causada pela degradação ambiental, e a exposição à poluição atmosférica, sonora e hídrica entre outros.

“O continente africano possui inúmeros projectos de extracção de recursos minerais, alguns já em implementação, que representam uma oportunidade para o desenvolvimento económico, mas também, uma ameaça à saúde da população por meio da rápida urbanização e degradação ambiental”, descreve o artigo citado num comunicado de imprensa do CISM.

O artigo, que resulta de um estudo liderado pelo Investigador moçambicano, Hermínio Cossa, no âmbito do projecto HIA4SD, reconhece, contudo, que a implementação destes projectos, propicia vários benefícios para a saúde à comunidade e às crianças (dos 0 aos 5 anos) especificamente que podem beneficiar de alimentos de qualidade, crescem num ambiente com melhores condições de água e saneamento.

O estudo revela o impacto das actividades de extracção mineira na saúde infantil, analisando dados sociodemográficos, de cerca de 23 países da África Subsariana.

“O estudo tinha como propósito avaliar até que ponto a indústria extractiva afecta a saúde de crianças na África Subsaariana. Para tal, foram pré-estabelecidos três indicadores chave, nomeadamente a mortalidade, diarreia, tosse e indicador antropométricos (nutricionais), estes últimos que são constituídos por três critérios (peso para idade, peso para altura e altura para idade)”, explica.

Segundo o primeiro autor do estudo, Investigador Hermínio Cossa, “cerca de 90.951 dados de crianças que vivem em torno de 81 locais de mineração em 23 países da África Subsariana foram analisados para indicadores de mortalidade infantil, e outros 79.962 dados de crianças de 59 áreas de mineração em 18 países da África Subsariana foram analisados para diarreia, tosse e indicadores antropométricos. E concluiu-se que os impactos da mineração na saúde infantil variam ao longo do ciclo de vida da mina”.

“O desenvolvimento da mineração provavelmente contribui positivamente para a renda e os meios de subsistência das comunidades impactadas nos anos iniciais das operações de mineração, particularmente na fase de prospecção e construção; enquanto, já na fase de extracção mineira, a mesma comunidade enfrenta desafios ligados a insegurança alimentar e poluição ambiental durante os estágios iniciais e posteriores da mineração, respectivamente”, acrescentou o investigador.

Ainda segundo Cossa, no indicador de mortalidade verificou-se uma redução de cerca de 45 por cento no risco de morte de crianças de 0 à 30 dias, e este dado permitiu, também, concluir que a abertura de minas aumenta a chance de sobrevivência de crianças nos primeiros meses de vida.

“Entretanto, o segundo critério permitiu-nos concluir que existe uma redução de risco em 32 por cento de uma criança desenvolver doenças diarreicas, mas não foi encontrado um efeito para tosse e peso para altura.

Para além de Hermínio Cossa, o artigo conta com outros autores, nomeadamente: Dominik Dietler, Eusébio Macete, Khátia Munguambe, Mirko S Winkler, Günther Fin

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.

pt_PT