Moçambique e FMI Iniciam Negociações Sobre Financiamento

Moçambique e FMI Iniciam Negociações Sobre Financiamento

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Mocambique e o Fundo Monetário Internacional (FMI) vão começar, no próximo mês, negociações sobre um Programa de Financiamento Ampliado, segundo anunciou terça-feira (21) a instituição financeira multilateral, no fim de uma visita ao país.

“As discussões sobre o apoio ao programa do Governo, através de um Programa de Financiamento Ampliado, vão começar em breve. Um programa apoiado pelo fundo pode ajudar a aliviar as pressões financeiras num contexto de recuperação económica, apoiar a agenda das autoridades na redução da pobreza e na restauração de um crescimento equitativo e sustentável”, lê-se no comunicado difundido na manhã de terça-feira em Washington.

Publicado no final da visita ao país e assinado por Álvaro Piris, o documento salienta que um apoio financeiro do fundo ajudaria também a canalizar financiamento adicional e aponta que “a equipa técnica (do Fundo) está pronta para começar as negociações no final de Janeiro de 2002, em linha com o calendário preferido das autoridades”.

O FMI estima que, depois da contraição económica de 2020, Moçambique regista um crescimento de 2,2 por cento este ano, com a inflação a ficar a baixo dos 10 por cento, depois de conhecer um aumento de 6,8 por cento em Novembro face ao mesmo período do ano anterior.

No comunicado, o FMI diz que a perspectiva de evolução da economia moçambicana é dominada pela produção de gás natural liquefeito, antevendo que o crescimento da economia das restantes áreas além do gás fique nos 4 por cento a longo prazo.

“O crescimento global vai subir fortemente quando começar a produção de gás natural liquefeito, actualmente esperada para 2023 e 2026”, afirma-se no comunicado citado pela Lusa.

A pressão orçamental das várias crises que afectam o país, das alterações climáticas ao problema de insegurança no norte do país devido ao terrorismo, faz com que o endividamento seja uma inevitabilidade.

“Com pouco financiamento concessional depois dos pacotes de apoio no seguimento da Covid-19, em 2020, Moçambique dependeu fortemente dos bancos nacionais para o financiamento e com a procura por Obrigações do Tesouro a cair, as dívidas internas estão a emergir”, diz Alvaro Piris, salientando que apesar das medidas de contenção orçamental no orçamento para o próximo ano e da utilização da alocação dos Direitos Especiais de Saque, “vai ser preciso financiamento adicional”.

Será preciso, avisa, uma acção decisiva para a dívida continuar numa trajectória sustentável para reduzir vulnerabilidades e para libertar recursos para a despesa prioritária.

O FMI considera que recursos orçamentais adicionais poderiam ser angariados através de reformas na política fiscal, nomeadamente isenções ao IVA, com cuidado para minimizar o impacto nos agregados familiares mais vulneráveis e na gestão da receita fiscal.

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