Banco de Moçambique Sugere Estratégias Mais Fiáveis Para a Comercialização da Castanha de Caju

Banco de Moçambique Sugere Estratégias Mais Fiáveis Para a Comercialização da Castanha de Caju

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Um estudo do Banco de Moçambique sugere a melhoria da organização do sistema de comercialização da castanha de caju no país por este se apresentar débil.

O banco central justifica ter escolhido a problemática da castanha de caju, em virtude do elevado potencial que esta amêndoa tem para alavancar a economia de Moçambique, e a província nortenha de Nampula, em particular, por ser a maior produtora e processadora da castanha de caju a nível nacional.

Nampula contribui com cerca de 50 por cento da produção total do país e 81 por cento de processamento. Dezanove dos seus 23 distritos são produtores da castanha de caju, que contam com 14 fábricas de processamento desta amêndoa.

O estudo, intitulado “Desafios e oportunidades na comercialização e processamento da castanha de caju”,apresentando esta sexta-feira no final do 46º Conselho Consultivo do Banco de Moçambique na cidade de Nampula, propõe o reforço do fundo de garantia e um maior envolvimento dos bancos comerciais no financiamento à indústria do caju.

Sugere também a introdução de um sistema de licenciamento específico para os actores da cadeia de valor do caju, transição para um sistema de leilão com única modalidade de comercialização, bem como o aumento da sobretaxa de exportação da castanha em bruto e a introdução da sobretaxa para a amêndoa.

Presente no acto, o presidente da Associação dos Industriais do Caju, (AICAJU), Yunus Gafar, acredita que a abordagem dos problemas do sector por uma instituição como o banco central do país alimenta a esperança de recuperação e resgate desta cultura de rendimento.

Gafar aposta na ideia da introdução de cooperativas de produtores como forma segura para garantir o desenvolvimento do sector do caju num futuro breve.

“Aposto mais na ideia da criação de cooperativas, pois estas poderão garantir aos pequenos produtores integração e a resolução dos seus problemas do dia-a-dia. Também não haver vendas ocasionais. Precisamos da ajuda de bancos no campo para facilitar as operações pontuais dos produtores”, disse.

Por seu turno, o governador da província de Nampula, Manuel Rodrigues, recordou que 19 dos 23 distritos desta parcela do país são produtoras da castanha de caju, numa percentagem de 83 por cento. “Lamentavelmente, das 14 fábricas existentes na nossa província, sete encontram-se paralisadas, apontando-se como uma das razões a insuficiência da matéria-prima originada em parte pelo contrabando da produção local, abrindo espaço para a perda de emprego dos nossos concidadãos e perda de divisas”, elucidou.

Comentando, o governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamemla, disse que as sugestões trazidas no acto da apresentação do estudo eram “muito valiosas”. “Ouvimos recomendações que vão além daquilo que trouxemos hoje. Manifestamos o nosso compromisso de continuar a pesquisar, em primeiro lugar, agregando os subsídios e as contribuições que recebemos e interagir com as instituições relevantes que possam ajudar a trazer solução para estes problemas que são estruturais, abrangentes, não dependem apenas de um sector ou só do governo, mas de todos aqueles que participam na cadeia de valor do caju”, afirmou.

“O governo, em particular, joga um papel importante nesta matéria, o de orientar na busca de soluções, definir as políticas e implementá-las com a coragem necessária para que o país, possa, de novo, ocupar o patamar que merece no mundo porque temos potencial”, sublinhou.

O estudo do Banco de Moçambique refere que, em 2020, cerca de 1,4 milhão de famílias moçambicanas estava envolvida na produção da castanha de caju e 14.300 trabalhadores empregues no seu processamento.

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