Porto de Nacala: Escassez de Contentores Dificulta Exportação de Fibra de Algodão

Porto de Nacala: Escassez de Contentores Dificulta Exportação de Fibra de Algodão

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A exportação de fibra de algodão da Sociedade Algodoeira do Niassa (SAN) para o mercado internacional está a enfrentar dificuldades, alegadamente devido à escassez de contentores junto às companhias marítimas de transporte de cargas que operam a partir do Porto de Nacala, na província de Nampula, norte de Moçambique.

A SAN conseguiu, até ao momento, cerca de 3850 toneladas de fibra em resultado do processamento, desde Junho último, de uma quantidade de algodão-caroço estimada em 10 mil toneladas.

Manuel Delgado, director geral da SAN, empresa de fomento do chamado “ouro branco”, sediada em Cuamba, na nortenha província do Niassa, disse que, devido à persistente dificuldade das companhias marítimas que operam a partir de Nacala de disponibilizar os contentores, a sua empresa foi forçada a encontrar outras alternativas.

Segundo ele, citado esta sexta-feira pelo “Notícias”, o Porto da Beira, centro do país, é, neste momento, a alternativa encontrada para assegurar a exportação da fibra de algodão. Contudo, esta via não se afigura sustentável, porquanto a tarifa praticada pelo aluguer de cada unidade de contentor pelas companhias marítimas que operam a partir daquele porto está estimada em 12 mil dólares norte-americanos, valor que é seis vezes maior, comparado com os preços cobrados no Porto de Nacala.

Além dos custos com o aluguer de contentores, a fomentadora de algodão no Niassa suporta despesas referentes ao frete de camiões para assegurar o transporte da fibra entre as cidades de Cuamba e Beira, na província central de Sofala.

“A minha empresa vem suportando custos gigantescos para exportar a fibra do algodão para os países dos continentes africano, europeu e asiático para respeitar os contratos assinados e usar as receitas da operação para honrar os compromissos com os produtores de algodão-caroço”, salientou Manuel Delgado.

Delgado escusou-se, no entanto, a comentar sobre a possibilidade de a SAN alcançar ou não margens de receitas que possam cobrir os custos de operação do fomento, processamento, exportação, pagamento de salários com a massa trabalhadora, impostos entre outras despesas, em razão dos constrangimentos que têm vindo a enfrentar.

Questionado sobre a razão evocada pelas companhias marítimas de transporte de carga para a indisponibilidade de contentores, sobretudo no Porto de Nacala, o interlocutor disse que tudo deriva dos constrangimentos criados pelas restrições ocasionadas pela pandemia da Covid-19 que levaram à paralisação de várias operações por falta de mão-de-obra.

A fonte referiu ainda que o maior número de contentores vazios encontra-se nos portos dos países que dominam o comércio mundial e transporte de mercadorias por via marítima, nomeadamente China, Emiratos Árabes Unidos e uma parte do continente europeu.

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