Desafios da Integração do Empresariado Moçambicano nos Negócios do Gás Natural

Desafios da Integração do Empresariado Moçambicano nos Negócios do Gás Natural

Já foi lido 116vezes!

Moçambique está a passos largos do início da exploração de gás natural, num contexto em que o país ainda regista vários desafios de desenvolvimento económico e social, podendo se citar como exemplos a necessidade contínua de se potenciar infraestruturas no meio urbano e rural, facilitar o acesso a financiamento e melhorar as respostas institucionais face aos problemas conjunturais, em particular as calamidades naturais e de outra índole, aspectos agravados ainda pelos focos de guerra que se fazem sentir na região centro, província de Manica e Sofala e no norte em Cabo Delgado.

Se por um lado, as empresas se debatem com a questão de fundo “como se inserir no negócio com as grandes empresas, considerando o estágio actual em que a maioria delas se encontra”, por outro lado, os esforços da sociedade parecem convergir no mesmo sentimento, o país deve reter ganhos económicos e sociais.

O início de exploração deste recurso energético por si só já vai significar uma mudança estrutural, o que quer dizer que o nível de produção do país situar-se-á em patamares muito mais elevados, mas os benefícios da população pobre assim como para as empresas só vão acontecer se os moçambicanos estiverem envolvidos com o seu trabalho ou produção dentro da cadeia de fornecimento das grandes empresas. 

Vários debates se levantam, também têm sido empreendidas iniciativas e realizadas conferências como o gás summit, contudo estão a volta de discutir o conteúdo local, mas a realidade é que o problema parece não estar a ser tratado como ele é; isto é,Muitasempresas nacionais,pequenas e médias, não são competitivas em diferentes sectores de actividades em que estão inseridas comparativamente com as empresas estrangeiras.

Uma empresa competitiva deve ter, para o mesmo produto produzido por outras, um preço e qualidade melhores em relação às suas competidoras, como resultado de processos tecnológicos que permitem produzir em escala dentro de um ambiente favorável, por exemplo, onde custos de créditos são aceitáveis e é possível obter financiamento.

Portanto, se isso for verdade, o problema é estrutural da economia e como tal tem uma perspectiva de longo prazo, cuja resolução nunca pode estar fora de um quadro estratégico de desenvolvimento ou seja, não pode encontrar resposta em programas espontâneos ou iniciativas isoladas, que não são de desenvolvimento competitivo.

A questão de desenvolvimento competitivo requere tomar em consideração factores tecnológicos, humanos e institucionais para garantir uma fluidez industrial sólida ou seja, se a tecnologia usada nas empresas e os seus trabalhadores não poderem dar resposta em termos competitivos e as instituições terem limitações em termos de serviços e soluções necessárias, não poderá haver competitividade empresarial e os esforços envidados por mais que bem-intencionados serão sempre diminutos, e vão culminar na retenção de ganhos sim, mas em menor quantidade do que o que seria se o assunto fosse abordado de forma estratégica.

 A quantidade e qualidade produtiva que se pretende que as empresas tenham resultaria neste caso da disponibilidade da utilização de tecnologia apropriada, informação e capacidades, elevando deste modo o nível de produtividade dos factores de produção das empresas.

Enfim, o nível de retenção de ganhos e de acumulação de riqueza em nacionais vai depender da forma como for estruturado o desenvolvimento competitivo das empresas, incluindo das instituições de desenvolvimento, de forma a facilitar transferências tecnológicas às empresas existentes, e não só, habilidades técnicas dos trabalhadores e gestores e serviços de certificação abrangentes para além da melhoria da embalagem.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.

pt_PT